Em resumo
- Orações coordenadas são sintaticamente independentes, mas podem estar relacionadas por conjunções.
- As coordenadas sindéticas podem ser classificadas como aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas.
- Questões de vestibular costumam cobrar mais do que a identificação da conjunção: é preciso compreender a relação de sentido estabelecida no contexto.
Quem está se preparando para o Enem e outros processos seletivos precisa saber reconhecer as orações coordenadas e compreender a relação de sentido estabelecida entre elas. Para ajudar nessa preparação, reunimos seis questões reais de vestibulares brasileiros recentes.
As questões selecionadas abordam diferentes aspectos da coordenação, como orações coordenadas sindéticas adversativas, aditivas e alternativas, além da identificação de relações de sentido estabelecidas por conjunções e conectivos.
O que são orações coordenadas?
As orações coordenadas são aquelas que apresentam independência sintática em relação umas às outras. Em um período composto por coordenação, cada oração possui estrutura própria, embora possa estabelecer uma relação de sentido com outra.
Observe:
Estudei bastante, mas não consegui terminar a prova.
Nesse período, temos duas orações:
- Estudei bastante.
- Não consegui terminar a prova.
A segunda oração está ligada à primeira pela conjunção mas, que estabelece uma relação de oposição. Por isso, temos uma oração coordenada sindética adversativa.
Quando não existe uma conjunção ligando as orações, temos uma oração coordenada assindética:
Estudei bastante, terminei os exercícios, revisei a matéria.
Já as orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com a relação de sentido estabelecida pelo conectivo.
Principais tipos de orações coordenadas sindéticas
| Tipo | Relação de sentido | Conjunções ou locuções frequentes |
|---|---|---|
| Aditiva | soma | e, nem, mas também |
| Adversativa | oposição ou contraste | mas, porém, contudo, todavia |
| Alternativa | alternância | ou, ora… ora, seja… seja |
| Conclusiva | conclusão | logo, portanto, por isso |
| Explicativa | explicação ou justificativa | porque, pois, que |
A seguir, veja como esse conteúdo aparece em questões reais de vestibulares.
1. UFRGS 2025: classificação de conectivos
A primeira questão foi aplicada no Vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2025.
O exercício pede que o candidato identifique as relações de sentido estabelecidas pelos conectivos “ou”, “para” e “porém”, apresentados em diferentes trechos do texto.
Entre as alternativas, aparecem combinações como:
- adição, oposição e conclusão;
- alternância, finalidade e oposição;
- explicação, comparação e conclusão;
- adição, conclusão e oposição;
- alternância, adição e finalidade.
Gabarito: alternativa B
A sequência correta é:
alternância – finalidade – oposição.
Resolução
O primeiro conectivo analisado é “ou”. Nesse contexto, ele estabelece uma possibilidade entre alternativas, portanto apresenta valor de alternância.
Já “para”, no trecho analisado, introduz uma ideia de finalidade. A expressão indica o objetivo de determinada ação.
Por fim, “porém” é uma conjunção coordenativa adversativa. Seu papel é estabelecer oposição ou contraste entre ideias.
Assim:
- ou → alternância;
- para → finalidade;
- porém → oposição.
A questão é um bom exemplo de como o vestibular pode cobrar as relações estabelecidas pelos conectivos a partir do contexto, e não somente pela memorização de listas de conjunções.
Fonte oficial: Vestibular UFRGS 2025. A UFRGS disponibiliza os materiais oficiais do processo seletivo em seu portal do Vestibular.
2. FUVEST 2025: o valor de “mas sim”
A segunda questão foi aplicada na FUVEST 2025, processo seletivo da Universidade de São Paulo (USP).
A questão 61 apresenta um texto sobre a chamada “cultura do cancelamento” e pede a interpretação dos conectivos destacados.
Entre eles está a expressão “mas sim”, utilizada no trecho que contrapõe as formas tradicionais de punição às consequências buscadas pelos agentes do cancelamento.
Gabarito: alternativa D
A alternativa correta afirma que “mas sim” ressalta a diferença entre como se pune na cultura do cancelamento e no direito penal.
Resolução
A expressão “mas sim” introduz uma oposição em relação à ideia apresentada anteriormente.
O texto explica que a sanção relacionada à cultura do cancelamento não procura atingir determinados objetivos tradicionais. Em seguida, apresenta aquilo que ela efetivamente procura fazer.
Nesse contexto, “mas sim” funciona como elemento de contraste.
Trata-se, portanto, de uma construção relacionada ao valor adversativo.
É importante observar que a questão não pergunta simplesmente qual é o significado de “mas”. O candidato precisa compreender a relação estabelecida entre os segmentos do texto.
Fonte oficial: FUVEST, Concurso Vestibular 2025, prova da primeira fase, questão 61. O arquivo oficial apresenta a questão e suas cinco alternativas.
3. UFRGS 2023: o valor da conjunção “mas”
A terceira questão foi aplicada no Vestibular UFRGS 2023 e apresenta dois usos da conjunção “mas” em um texto literário.
O candidato deveria avaliar três afirmações sobre o emprego do conectivo:
- os dois usos relacionam segmentos com orientações de sentido distintas;
- os usos contribuem para apresentar um conflito vivido pelo personagem;
- os conectivos expressam ideia de conformidade.
Gabarito: alternativa D
A resposta correta é:
Apenas I e II.
Resolução
A afirmação I está correta porque “mas” é uma conjunção coordenativa adversativa. Ela relaciona segmentos que apresentam sentidos contrastantes.
A afirmação II também está correta. No contexto do texto, os dois usos de “mas” ajudam a construir uma oposição relacionada às ações e intenções do personagem Sandro.
A afirmação III está incorreta porque “mas” não expressa conformidade. Seu valor semântico, nesse caso, é de oposição ou contraste.
Portanto:
- I → correta;
- II → correta;
- III → incorreta.
Logo, a resposta é a alternativa D.
A questão mostra uma característica comum dos vestibulares: a classificação gramatical precisa ser associada à interpretação do texto.
Fonte oficial: Vestibular UFRGS 2023. A questão consta da prova de Língua Portuguesa do primeiro dia. A questão é identificada como a de número 3 na prova.
4. UnB 2022: orações coordenadas dentro de uma estrutura maior
A quarta questão foi aplicada no Vestibular Indígena UnB/FUNAI 2022, organizado pelo Cebraspe.
O item analisa o trecho:
“à medida que os pesquisadores se debruçam sobre documentos […] e escutam a tradição oral”
A afirmação apresentada ao candidato dizia que o trecho apresentava duas orações coordenadas entre si.
Gabarito: Certo
Resolução
Para resolver a questão, é necessário separar as estruturas que apresentam verbos.
No trecho, temos:
- os pesquisadores se debruçam sobre documentos;
- os pesquisadores escutam a tradição oral.
As duas ações possuem o mesmo sujeito, “os pesquisadores”, e estão ligadas pela conjunção “e”.
Assim, “se debruçam” e “escutam” introduzem orações coordenadas entre si.
Existe, porém, uma estrutura maior iniciada por “à medida que”, que estabelece uma relação de subordinação temporal com a oração principal. Isso não impede que, internamente a essa estrutura, as duas ações estejam coordenadas.
Esse detalhe é importante: uma oração pode estar inserida em uma estrutura subordinada e, ao mesmo tempo, conter duas orações coordenadas entre si.
Fonte oficial: Vestibular Indígena UnB/FUNAI 2022, organizado pelo Cebraspe. O edital oficial registra a aplicação da prova em 20 de agosto de 2022, e o Cebraspe disponibilizou o gabarito oficial definitivo.
5. UECE 2021: identificar a classificação incorreta
A quinta questão foi aplicada na 2ª fase do Vestibular 2021.1 da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
O exercício apresenta quatro classificações de orações retiradas de um texto e solicita que o candidato identifique aquela que está incorreta.
Entre os trechos analisados estão construções com:
- “mas”;
- “ou”;
- “e”;
- uma oração subordinada causal.
Gabarito: alternativa A
A alternativa A é a incorreta.
Ela classifica como oração coordenada sindética adversativa uma estrutura introduzida por “mas” em que a relação não corresponde à classificação apresentada na alternativa.
Resolução
A questão exige que o estudante observe a relação sintática completa, e não apenas a presença de uma conjunção.
No trecho apresentado na alternativa A, o “mas” aparece relacionado a uma oração que contém uma estrutura introduzida pelo pronome relativo “cujos”.
O termo “cujos bastidores não conhecemos” é uma oração subordinada adjetiva, pois caracteriza o termo anterior.
Portanto, não se deve classificar toda a estrutura como uma oração coordenada sindética adversativa apenas porque aparece a palavra “mas”.
Já a alternativa que apresenta a construção com “e” relacionando “nos culpamos” e “seguimos” estabelece uma relação de adição, característica de uma oração coordenada sindética aditiva.
A questão reforça uma regra importante: a classificação deve considerar a estrutura sintática completa do período, e não somente a conjunção isoladamente.
Fonte oficial: Comissão Executiva do Vestibular da UECE. A universidade disponibiliza a prova da segunda fase de Língua Portuguesa e os respectivos gabaritos, além dos comunicados referentes ao processo de recursos.
6. Unesp 2021: substituição de uma conjunção adversativa
A sexta questão foi aplicada no Vestibular da Unesp 2021 e utilizou um artigo do neurocientista Sidarta Ribeiro.
O exercício apresenta um trecho iniciado por “Contudo” e pergunta qual expressão poderia substituí-lo sem alterar o sentido do texto.
Entre as opções aparecem expressões como:
- por conseguinte;
- inclusive;
- todavia;
- além disso;
- conquanto.
Gabarito: alternativa C
A resposta correta é “Todavia”.
Resolução
“Contudo” é uma conjunção coordenativa sindética adversativa. Ela estabelece uma relação de oposição ou contraste entre duas ideias.
“Todavia” também apresenta valor adversativo e, nesse contexto, pode substituir “contudo” sem prejuízo do sentido.
As demais alternativas apresentam relações semânticas diferentes:
- por conseguinte → conclusão;
- inclusive → inclusão ou adição;
- além disso → adição;
- conquanto → concessão.
Por isso, somente “todavia” mantém a relação de sentido original.
Fonte oficial: Vestibular Unesp 2021, organizado pela Vunesp. A documentação oficial do processo seletivo disponibiliza provas e gabaritos; a página do vestibular também registra a prova de conhecimentos gerais aplicada em 2021.
O que estudar depois de resolver os exercícios?
As seis questões mostram que o estudo de orações coordenadas não deve se limitar à memorização de conjunções.
Para vestibulares, vale revisar principalmente:
1. Orações coordenadas assindéticas
São aquelas que não apresentam conjunção coordenativa entre as orações.
Exemplo:
Cheguei, sentei, comecei a estudar.
As orações estão relacionadas, mas não existe uma conjunção ligando-as.
2. Orações coordenadas sindéticas
São introduzidas por uma conjunção ou locução conjuntiva.
Entre os principais tipos estão:
- aditiva: estabelece ideia de soma;
- adversativa: estabelece oposição;
- alternativa: estabelece alternância;
- conclusiva: apresenta conclusão;
- explicativa: apresenta explicação ou justificativa.
3. Valor semântico dos conectivos
Uma mesma palavra pode assumir diferentes funções dependendo do contexto. Por isso, o estudante deve analisar a relação entre as partes do período.
Conjunções como mas, e, ou, pois, portanto, contudo e todavia aparecem com frequência em questões de interpretação e gramática.
4. Diferença entre coordenação e subordinação
Essa distinção também é importante.
Nas orações coordenadas, existe independência sintática entre as orações.
Nas subordinadas, uma oração exerce função sintática em relação a outra.
Por isso, ao encontrar uma conjunção, não basta identificá-la. É necessário observar qual relação ela estabelece e qual função a oração desempenha no período.
Resumo das 6 questões de orações coordenadas
| Vestibular | Ano | Tema principal | Gabarito |
|---|---|---|---|
| UFRGS | 2025 | Valor de conectivos | B |
| FUVEST | 2025 | Valor de “mas sim” | D |
| UFRGS | 2023 | Valor de “mas” | D |
| UnB/FUNAI | 2022 | Orações coordenadas | Certo |
| UECE | 2021 | Classificação de orações | A |
| Unesp | 2021 | Conjunção adversativa | C |
Perguntas frequentes sobre orações coordenadas
Como classificar orações coordenadas?
Primeiro, identifique os verbos e separe as orações. Depois, observe se existe uma conjunção ligando as estruturas. Se houver, analise a relação de sentido estabelecida pelo conectivo para determinar se a oração é aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva ou explicativa.
Qual é a diferença entre oração sindética e assindética?
A oração coordenada sindética apresenta uma conjunção coordenativa. A oração coordenada assindética não possui conjunção ligando-a à oração anterior.
Quais conjunções indicam cada tipo de oração coordenada?
Entre as mais frequentes estão:
- aditivas: e, nem;
- adversativas: mas, porém, contudo, todavia;
- alternativas: ou, ora… ora;
- conclusivas: logo, portanto, por isso;
- explicativas: porque, pois, que.
O contexto, porém, deve ser analisado antes da classificação.
Como estudar para questões de orações coordenadas?
Uma boa estratégia é resolver questões reais de vestibulares e, depois, identificar qual conteúdo foi cobrado em cada uma.
Nas seis questões acima, por exemplo, aparecem diferentes habilidades:
- reconhecimento de relações de sentido;
- identificação de conjunções adversativas;
- distinção entre coordenação e subordinação;
- análise da função de conectivos;
- interpretação de construções coordenadas dentro de períodos mais complexos.
Esse tipo de treinamento ajuda o estudante a perceber que orações coordenadas podem ser cobradas tanto em questões de gramática quanto em exercícios de interpretação de texto.

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